Saiba como livrarias se preparam para a reabertura em BH

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Revista Encontro – Matéria 24/07/2020

Lojas tiveram o gostinho de retomar as atividades. E já experimentaram o que vem por aí

As pessoas que tinham por hábito, no pré-pandemia, frequentar livrarias físicas, buscar títulos nas prateleiras, conversar com livreiros, sentar para tomar um café enquanto folheavam uma edição especial, participar de saraus ou levar os pequenos para sessões de contação de história estão sentindo falta desse programa. Isso porque, diferentemente de alguns outros comércios, esses estabelecimentos não são exclusivamente “lojas de livros”, mas lugares de encontro, de passeio.

Por isso, livreiros da cidade estão pensando em como será o futuro do setor, enquanto não houver vacina ou tratamento para a Covid-19 que permita o retorno da realização de eventos que têm tanta ligação com o mercado literário. Ainda pouco se sabe como será esse futuro, mas as lojas tiveram chance de vivenciar, por cerca de um mês (de 25 de maio a 28 de junho), a reabertura das portas - ainda que com restrições relativas aos protocolos do novo coronavírus.

Segundo Marcus Teles, diretor presidente da Leitura, que tem 73 lojas no país (cerca de metade fechada, até o fechamento da edição), as vendas em lojas reabertas representam, na média, 50% do que eram antes da pandemia. Isso se deve, segundo ele, tanto ao horário reduzido de funcionamento, diminuição das atividades possíveis e apreensão dos clientes. "O tempo médio de estadia de um consumidor em nossa loja era de 45 minutos. Hoje, caiu para 20", afirma. Para Alencar Perdigão, livreiro e sócio da Quixote, na Savassi, poder abrir as portas, ter a vitrine visível na rua, receber clientes na área interna foi um alívio. No entanto, o serviço de entrega ainda foi responsável por uma fatia maior do faturamento do que as compras in loco, no período – a loja da Savassi, que já existe há 17 anos, chegou a reabrir, mas a loja da UFMG, que existe há dez, está fechada desde março, já que o campus não tem previsão de retomada das aulas.

As livrarias que não tinham e-commerce ou serviço de entrega tiveram de se adaptar para manter o negócio funcionando nos períodos mais restritos, ainda que de portas fechadas. Assim, muitas passaram a oferecer entrega de livros em casa e pedidos via redes sociais e Whatsapp, além de estratégias como dicas de livreiros em vídeos postados diariamente, contato direto na loja para sugestões e entrega de livros para presentes - com direito à cartão escrito à mão, ditado pelo cliente.


Mas o setor não está pessimista. Para Bernardo, da Ouvidor, livraria que completa meio século em 2020, o investimento na comunicação digital e o relacionamento com os clientes são itens essenciais e que têm feito a diferença. "Acho que essa crise veio para dar outro rumo no comércio em geral e nas livrarias também. Estamos pretendendo ficar por pelo menos mais 50 anos."

13/08/2020